PalavrasCruzadas



Obrigado Jovem Amigo

20:00 Porcaria de vida! Se ainda houvesse alguém que me compreendesse… Uma pessoa só… Não era pedir muito. Há 23 anos a aturar quem não queria ser aturado. Há 23 anos a viver uma vida em que tudo me parecia uma imensidão de flores colorindo a minha vida. Mas não! Pelo contrário. Há 23 anos a viver uma vida repleta de rosas. Bonitas e perfumadas à superfície, mas quando a olhamos melhor, percebemos que há os espinhos mesmo à espera de serem úteis a alguém.

20:30 Meia hora de sono. Meia hora de fuga à realidade. Mas não eram suficientes. Dormir para a eternidade, quem me dera! Peguei num livro. Era a única coisa que me afastava da realidade e me mergulhava num mundo distante do meu. Silêncio. Silêncio até que um trôpego corpo embatia no mais soalheiro vidro do quarto. Despertou-me. Corri para a janela. Abria. Fechei-a. Para além de ver a vida a correr-me a vida entre os dedos, agora também a andava a ter estranhas alucinações? Abri-a novamente. Debrucei-me sobre o parapeito e petrifiquei. Estava a ter alucinações. Era uma coisa grave. Muito grave. Debrucei-me ainda mais sobre o parapeito da janela. Toquei na alucinação. Mas… era real! Um corpo colorido de uma cor certamente inexistente por terras mundanas estava estatelado mesmo fora de minha casa. Á espera de entrar. Saltei a janela e olhei curiosamente todos os cantos daquela coisa que tinha aterrado mesmo em frente de minha casa. Olhei o céu. Nada de suspeito. Peguei nele e trouxe-o à força de braços para dentro do quarto. Deitei-o. Encheu-me a cama de uma substância viscosa qualquer. Despertou! Saltei para trás e caí. Desfazi-me em perguntas a tentar compreender o que era aquilo que estava à minha frente a desbobinar respostas e conselhos. Era um extraterrestre, ou como ele gostava de ser tratado, alienígena.

22:00 – E já agora. Vieste aqui parar porquê?

– Não querias alguém que te compreendesse? Aqui estou eu. Há sempre alguém lá por cima a cuidar de cada um de vós.

– Ah… E porque vieste? Nunca vem ninguém. Podemos estar na mais profunda melancolia, que aqui ficamos. Sozinhos.

– Não é nada disso! Ofendeste-me! Eu sempre tive a olhar por ti. Desta vez é que me distraí e caí. Foi sem querer. Agora não sei como sair daqui…

– Depois vemos isso… Sempre soube que vocês existiam. Tinha a certeza! Mas conta-me, quantos sois. Onde viveis. Sois todos assim? Como é vista a nossa sociedade?

Parou a olhar para mim. Ficamos olhos nos olhos. Trocando sentimentos.

– Sois o nossos tesouro.

08:00 Acordei há pouco. Ele havia-me deixado sem qualquer resposta. Num ápice fora. Desapareceu. Dormi atormentado. Sonhei com ele. Mas agora estava bem. Mais feliz do que nunca. Pronto para enfrentar qualquer adversidade que se cruzasse comigo. Obrigado jovem amigo!


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