PalavrasCruzadas



Crime Sagrado

  A latada do sobreiro cobria a minha cabeça, era enorme. À sua frente, a “Igreja Branaca”, como lhe chamavam, não sei porquê, até porque quase todas as igejas são brancas. Entrei. O silêncio predominava naquele espaço. Só o medonho e articulado salmodiar vindo das pessoas de idade, enquanto rezavam.

       Persignei ao entrar e fui deixando uma esteira de perfume. A bigorna estava cheia de guarda-chuvas.

       Ajoelhei-me, e em segundos senti um forte paroximo a emergir em mim. Apunhalaram-me na parte de trás o meu corpo. Porquê não sei. Fiquei deitado no chão. Intacto. Lembro-me de inda consciente, ouvir o mesmo salmodiar das pessoas de idade. Parecia que eu não estava ali.

       A luz sideral desceu, as estrelas deixaram de lampejar e o crepúsculo começava a entrar pelos vidros frágeis. No sábado, fui descoberto pelo sacristão que entretanto preparava a missa. Ainda hoje não sabem o que me aconteceu. Suicidio, homícidio… Que me teria aconteceido? Só eu sei…e as pessoas de idade. Se é que lá estavam…


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