“O livro da minha vida”
Não é certamente o livro da minha vida, mas é sem dúvida o livro que mais me influenciou na maneira como escrevo, por isso deixo aqui um excerto.
“Depois, ouvia pragas e gritos agudos a sair das janelas às escuras. E crianças a chorar. Apostava que, de manhã, ela sairia com um olho negro ou pelo menos com os lábios inchados.”
Uri Orlev, “A ilha na rua dos pássaros”
Vem um POLÍTICO, que ainda não sabendo bem onde estava, apregoa:
Pol. Hou da barca! Aqui está alguém?
Dia. (levanta-se e fica frente a frente com o politico) Cá alguém haverá sempre de estar… Desejais embarcar?
Pol. Pois, se outra alternativa aqui não há..
Dia. Ora com certeza que o há, mas não é lugar de vossa excelência lá embarcar.
Pol. Ora porque não? Se sempre nesta vida…passada vida… me portei honestamente e a todos que em mim confiaram ajudei?
Dia. (aparte) E a todas as criancinhas mudou as fraldas…
Pol. E quando haveis de embarcar?
Dia. Sem hora certa com certeza.
Pol. Outros caminhos irei então descobrir.
Dirige-se à barca do anjo e chama:
Pol. Hou lá da barca!
Anjo. Quem me chama? (o Anjo vira-se) Ora como está senhor politico?
Pol. Morto. Que sorte me havia de me calhar…
Anjo. E que desejais de mim? Embarcar com certeza que não o é.
Pol. Mas porque não me haveis de querer? A minha integridade na terra era de louvar aos céus. Nunca me viste cometer o mais pequeno crime.
Anjo. Pequeno…? Talvez não. Mas um dos grandes certamente que sim. Mentiste a todo o teu povo que tão hipocritamente governaste, e ainda fizeste uso do teu poder para teu proveito.
Pol. Nunca! Mas, não me deixará mesmo entrar nessa linda barca?
Anjo Nunca!
Pol. Quanto quer para me deixar entrar?
O Anjo olha-o furiosamente e o político percebe que era melhor regressar à barca do diabo
Pol. Venho das ruas da amargura. Aí poderei entrar?
Dia. Ora com certeza. Entrai e vinde servir Satanás.
Vem agora Emi playhouse, uma CELEBRIDADE, alcoólica e drogada, acompanhada de uma seringa e uma garrafa de vinho vazia, a cambalear.
Emi. Ó da barca! Aqui posso passar a noite? Lhe prometo que pela manhã em casa estarei.
Dia. Ó senhora, não precisa de se incomodar logo pela manhã. Encontrou aqui sua nova e majestosa casa.
Emi Bêbeda até posso estar. Mas louca é que não o estou.
Dia. (aparte) Ela É louca.
Emi Posso me deitar aqui ou não?
Dia. Aqui não te quero eu!
Emi (injectando-se e chorando) Ninguém me quer… Quero morrer…!
Dia. Ó senhora, morta já você está. Mas vá, fora daqui. Não quero quem se drogue e beba na minha linda barca.
Emi Eu quero viver…!
Emi sai chorando e encontra a barca do Anjo, a quem pergunta:
Emi Aqui posso embarcar? Está-me a ouvir? Ó da barca!
Anjo Já vai. Descanse. Que quer daqui você?
Emi O que quero eu daqui não sei ao certo, mas se tivesse vinho por ai podia ser que eu descobrisse.
Anjo Deus te irá perdoar. Mas de que morreste tu?
Emi (levantando a seringa e a garrafa vazia grita) Viva ao vinho!
Anjo Aqui irás tu entrar. Teus males não são do coração mas dessas coisas ai que seguras. Entra rápido para que ninguém nos lance olhares.
Emi E o vinho?
O Mundo da Publicidade
Talvez porque em publicidade “impossible is nothing”, sempre me apaixonou ver a forma com que se apoderam das nossas ambições e transportam-nos para o seu mundo. Imputando-nos o produto que revolucionará a nossa vida. Criando desejos que se realizam, bastando um olhar para um grande ou pequeno ecrã.
Mas que solução, temos nós mais, do que gostar da publicidade que todos os dias nos aparece, bastando um clique ou até mesmo sair à rua, e a primeira coisa que encontramos é provavelmente um cartaz de dimensões consideráveis onde nos dizem para viver “life´s good”? Que outra solução temos nós, mais, do que gostar? Não me parece que repugná-la seja uma boa ideia, ou então viveremos atormentados para o resto das nossas vidas.
Mas quem nunca se sentiu tentado com algo que nos é mostrado da forma mais criativa e que nos faz pensar que não éramos capazes de imaginar aquilo? Quem nunca quis fazer inveja ao vizinho com o produto da moda que nos foi vendido através de um pequeno visor? Quem nunca olhou um cartaz e disse “I’m loven’ it”?
Ela seduz-nos. Ela faz magia em nós. Nós sabemos disso, mas mesmo assim continuamos num ciclo vicioso em que tudo é consumismo. Mas o primeiro passo tem que ser dado e dizer de uma vez por toda não à magia da publicidade! “Just do it”!
Crítica/Resumo – “Um homem com sorte”
Desta vez decidi fazer um resumo diferente. Peguei em algumas passagens do texto que em poucas linhas resumem ”Um homem com sorte” de Nicholas Sparks. Um bom livro, que recomendo a quem quiser ter uma história de amor um pouco diferente.
“Porém, não estava noutra altura, nem noutro lugar, e a situação nada tinha de normal. Transportara a fotografia dela durante mais de cinco anos. Vasculhara o país à procura dela. Chegara a Hampton e arranjara um emprego que o mantinha perto dela. Tornara-se amigo da avó, do filho e, finalmente, dela própria. E faltavam poucos minutos para a sua saída de namorados.”
” Logan tinha a fotografia de Drake… Logan tinha ficado obcecado por ela… Logan tinha decidido procurá-la… Logan andara à caça dela.”
O melhor: Diálogos e a sensação de surpresa ao longo do livro
O pior: Episódios no Iraque
Livros lidos

Título: Cartas na Mesa
Autor: Agatha Christie
Editora: ASA
Páginas: 260
O melhor: A capacidade de nos surpreender até à última página.
O pior: Espaços exteriores pouco explorados.
Rio das Flores
Finalmente acabei a minha longa jornada com o melhor livro que já li até hoje. “Rio das Flores”. O melhor que já li e também certamente o mais longo, em que descobrimos a vida de Diogo Ribera Flores em Valmonte. Uma viagem histórica ao século XX, por onde fazemos paragem em Espanha, Alentejo e Brasil, olhamos com crítica aos anos tumultuosos da primeira metade de um século marcados por ditaduras e diferentes ideologias e passamos em revista toda essa época onde não se vive. Sobrevive.
Um livro a não perder.
O melhor: Rio das Flores e Miguel Sousa Tavares
O pior: Por vezes há demasiada história.
