Nó na garganta
Maio de 2008
- O planeta está a aquecer. Espera-se que daqui a… - e desligava-se o televisor. Já estava farto de ouvir aquela treta de Aquecimento global. Blá. Blá. Blá. O que é que isso lhe interessava? Afinal, quando supostamente, já não houvesse água para beber ou não chovesse há anos já não estaria ali… E com as invenções de hoje em dia quando esses dias chegassem já haveria água artificial. Aliás, quanto mais quente melhor; era maneira que as pessoas ficavam bronzeadas mais depressa. E sinceramente não vejo o que de tão mal eu faço para que contribua para esse tal de Aquecimento Global. Um só não mudaria as coisas. Reciclar, andar de transportes públicos. Não via mal nenhum em não fazer nada disso. Que me deixem estar sossegado, que eu não faço mal a ninguém. Se calhar é até uma invenção qualquer que lhes faz ganhar dinheiro com tantos filmes, prémios Nobeis, palestras e essas coisas que não interessam a ninguém. Enfim, mais uma chatice. Como se não chegasse os problemas com o dinheiro. Que se desenrasquem sozinhos.
Maio de 2068
- Foi tomada pelo governo mais uma medida para a protecção da água, após o assalto das já escassas reservas de água potável de Espanha, enquanto se realizavam as cerimónias dos nove anos da unificação de Portugal com Espanha, que como todos se recordam estamos juntos desde que Espanha ficou sem água potável e Portugal sem dinheiro. – e faltava a luz. Andavam sempre a cortar a luz para poder dessalinizar a água do mar. Quem dera que tudo fosse como naquelas histórias antigas que se encontrava pelos escombros da guerra. Escritos, pelos agora chamados de “geração egocêntrica”, em que tudo se resumia apenas a tentar ser feliz. Em que aconselhava as pessoas a beberem um litro e meio de água por dia. Agora, deixam-nos beber um copo de água. Não mais. Em que se lavava os carros com mangueira e a água era um elemento que não fazia parte das histórias encantadas. É difícil de nos imaginar nesses tempos em que a água era uma personagem secundária da história Terra. História que está a chegar ao fim. Prelúdio de uma vida em Marte. Tenho agora 30 anos. Pareço ter 50 segundo as histórias contadas mudamente nos livros, e vejo o fim à vista. A esperança média de vida agora é de 35 anos. Estou acamado. Tenho problemas renais, porque bebo pouca água.
A vida agora é muito diferente. Temos que nos limpar com azeite mineral. A água é sagrada. Todas as pessoas, mulheres e homens, têm a cabeça rapada para que não se acumule o lixo. Rios, lagos, mares, oceanos inteiros contaminados e desertos em toda a parte. Ao meu lado estão duas raparigas com 10 anos. Têm infecções gastrointestinais. A minha família quase já não consegue pagar as despesas que o hospital pede pela despesa de água. Os salários de agora não são dinheiro, que quase já ninguém tem e utiliza. A nossa moeda passou a ser a água. Dantes assaltavam-se bancos e qualquer sítio que tivesse dinheiro. Hoje em dia assaltam-se rios e qualquer sitio onde exista água. Não chove há anos e ainda bem. Quando ela vem, vem acidificada e causas magnânimas cheias.
Ontem tive na internet e procurei sobre inteligência. No primeiro site mostrava um gráfico sobre a evolução da inteligência. Tinha sido abalada 50% desde 2010 até hoje. Somos muito menos intelectuais do que os nossos antepassados.
Hoje estou aqui deitado numa cama de hospital e de cada vez que me lembro porque aqui estou e porque que o mundo está assim. Sinto algo a crescer dentro de mim. Ódio. Raiva. Impotência. Porquê tudo isto?
Tudo ainda pode mudar. Podemos fazer com que tudo isto seja apenas pura imaginação. Juntos Conseguimos!
Poema . Música . Imagens
Como não consigo postar o meu vídeo aqui, deixo o link para verem o meu trabalho.
Dia Mundial do Livro
“Há quem lhes chame inóspitos e monótonos, mas com eles voamos pela fantasia e viajamos como quem salta de terra em terra à procura da felicidade”
Pedro Ribeiro
Uma aventura no alto mar
Título: Uma aventura em alto mar
Colecção: Uma aventura
Autor: Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Editora: Caminho
Lido em: 26, 27 e 28 de Março
Começou por ser uma subida à falésia para ver o Sol nascer, mas depressa se transformou-se em mais aventuras e desventuras deste grupo, que com o livro “Uma aventura no alto mar” celebram cinquenta edições. Perdidos em alto mar são levados até ao Pólo Sul, um continente que os maravilhou.
Solidão
Desesperança das desesperanças…
Última e triste luz de uma alma em treva…
- A vida é um sonho vão que a vida leva
Cheio de dores tristemente mansas.
- É mais belo o fulgor do céu que neva
Que os esplendores fortes das bonanças
Mais humano é o desejo que nos ceva
Que as gargalhadas claras das crianças.
Eu sigo o meu caminho incompreendido
Sem crença e sem amor, como um perdido
Na certeza cruel que nada importa.
Às vezes vem cantando um passarinho
Mas passa. E eu vou seguindo o meu caminho
Na tristeza sem fim de uma alma morta.
Vinicius de Moraes
Mais um poema
A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.
Vinicius de Moraes
A vida
É vão o amor, o ódio, ou o desdém; Inútil o desejo e o sentimento… Lançar um grande amor aos pés de alguém O mesmo é que lançar flores ao vento!
Todos somos no mundo <<Pedro Sem>>, Uma alegria é feita dum tormento, Um riso é sempre o eco dum lamento, Sabe-se lá um beijo de onde vem!
A mais nobre ilusão morre… desfaz-se… Uma saudade morta em nós renasce Que no mesmo momento é já perdida…
Amar-te a vida inteira eu não podia. A gente esquece sempre o bem de um dia Que queres, meu Amor, se é isto a vida!
Florbela Espanca



